MÓDULO 11 – INFERÊNCIA DE
TEMAS EM TEXTOS FIGURATIVOS
Como imagens e
histórias podem expressar opiniões?
O Texto Figurativo é aquele composto principalmente por figuras,
ou seja, baseia-se em substantivos concretos para construir significados. Por
isso, sua função é representativa, afinal, é por meio dessas palavras
predominantemente concretas que o texto figurativo tem a intenção de retratar
algo, criar representações do mundo.
Ou seja, personagens executam ações concretas que representam
fatos históricos ou comportamentos humanos, sendo assim, os
textos figurativos (elaborados com substantivos concretos) produzem um efeito
de realidade (representam o mundo, criam uma imagem do mundo, analisam as ações
humanas e seus acontecimentos.
Suave mari magno [Machado de Assis]
Lembra-me que, em certo dia,
Na rua, ao sol de verão,
Envenenado morria
Um pobre cão.
Arfava, espumava e ria,
De um riso espúrio e bufão,
Ventre e pernas sacudia
Na convulsão.
Nenhum, nenhum curioso
Passava, sem se deter,
Silencioso, Junto ao cão que ia morrer,
Como se lhe desse gozo
Ver padecer
A maioria das palavras empregadas é
de substantivos concretos? Isso determina que o texto é figurativo ou abstrato?
(O texto é figurativo, pois faz uso de vários substantivos concretos. É um
texto que representa o mundo.)
Há presença de paradoxos no texto de
Machado de Assis? (Utiliza-se da figura de um cão para analisar as ações
humanas e seus acontecimentos. Lembremos que o texto figurativo representa o
mundo, cria uma imagem do mundo.
São vários os substantivos
concretos que denotam as reações paradoxais do cão: dia, rua, sol de verão,
cão, riso, ventre, pernas, convulsão. Tais elementos determinam o paradoxo que
consiste na coexistência da dor com o riso no momento da morte.)
Qual a reação dos curiosos que
passavam por ali? (Concomitantemente, os curiosos que por ali passavam também
agiam de forma paradoxal, pois se detinham junto ao cão, silenciosamente, em
atitude contemplativa que sugere muita atenção.
O paradoxo, nesse caso, consiste no
prazer diante da dor alheia. Os substantivos concretos utilizados o confirmam:
os curiosos e gozo.) O que se pode concluir da análise do poema? (Em conclusão,
Machado de Assis faz uso de vários substantivos concretos para criar uma
atmosfera abstrata que traduz uma alegoria em que a dor de um cão moribundo
desperta prazer nos passantes. A dor alheia causa prazer porque quem a
contempla não a está sentindo.)
Aposto é
um termo que se junta a outro de valor substantivo ou pronominal para
explicá-lo ou especificá-lo melhor. Vem separado dos demais termos da oração
por vírgula, dois-pontos ou travessão.
Por Exemplo:
Ontem, segunda-feira,
passei o dia com dor de cabeça.
Segunda-feira é aposto do
adjunto adverbial de tempo ontem. Dizemos que o aposto é sintaticamente equivalente ao termo a que se relaciona porque
poderia substituí-lo. Veja:
Segunda-feira passei o dia com dor de cabeça.
Obs.:
após a eliminação de ontem, o substantivo segunda-feira assume a
função de adjunto adverbial de tempo.
Veja outro exemplo:
Aprecio
todos os tipos de música:
MPB, rock, blues, chorinho, samba, etc.
Objeto Direto
Aposto do Objeto Direto
Se retirarmos o
objeto da oração, seu aposto passa a exercer essa função:
Aprecio
MPB, rock, blues, chorinho, samba, etc.
Objeto Direto
Obs.:
o termo a que o aposto se refere pode desempenhar qualquer função sintática
(inclusive a de aposto).
Por Exemplo:
Dona Aida servia
o patrão, pai de Marina, menina levada.
Analisando a
oração, temos:
pai de Marina
= aposto do objeto direto patrão.
menina
levada = aposto de Marina.
Classificação
do aposto
De
acordo com a relação que estabelece com o termo a que se refere, o aposto pode
ser classificado em:
a) Explicativo: A
Ecologia, ciência que investiga as
relações dos seres vivos entre si e com o meio em que vivem, adquiriu
grande destaque no mundo atual.
b) Enumerativo: A
vida humana se compõe de muitas coisas: amor,
trabalho, ação.
c) Resumidor
ou Recapitulativo: Vida digna,
cidadania plena, igualdade de oportunidades, tudo
isso está na base de um país melhor.
d) Comparativo: Seus
olhos, indagadores holofotes,fixaram-se por muito tempo na baía
anoitecida.
e) Distributivo: Drummond
e Guimarães Rosa são dois grandes escritores, aquele na poesia e este na prosa.
f) Aposto
de Oração: Ela correu durante uma hora, sinal de preparo físico.
Além desses, há o aposto especificativo, que difere dos demais
por não ser marcado por sinais de pontuação (vírgula ou dois-pontos). O aposto especificativo
individualiza um substantivo de sentido genérico, prendendo-se a ele
diretamente ou por meio de uma preposição, sem que haja pausa na entonação da
frase:
Por Exemplo:
O poetaManuel Bandeira criou obra de expressão
simples e temática profunda.
A ruaAugusta está muito longe do rioSão Francisco.
Atenção:
Para não confundir o aposto de especificação com adjunto
adnominal, observe a seguinte frase:A obra de Camões é símbolo da
cultura portuguesa.
Nessa oração, o termo em destaque tem a função de adjetivo:
a obra camoniana. É, portanto, um adjunto adnominal.
Observações:
1) Os apostos, em geral,
detacam-se por pausas, indicadas na escrita, por vírgulas, dois pontos ou
travessões. Não havendo pausa, não haverá vírgulas.
Por Exemplo: Acabo de ler o romance A
moreninha.
2) Às vezes, o aposto
pode vir precedido de expressões explicativas do tipo: a saber, isto
é, por exemplo, etc.
Por Exemplo: Alguns alunos, a
saber, Marcos, Rafael e Bianca não entraram
na sala de aula após o recreio.
3) O aposto pode
aparecer antes do termo a que se refere.
Por Exemplo: Código universal, a música
não tem fronteiras.
4) O aposto que se refere ao
objeto indireto, complemento nominal ou adjunto adverbial pode aparecer
precedido de preposição.
Por Exemplo: Estava deslumbrada
com tudo: com a aprovação, com o ingresso na universidade, com
as felicitações
COMPLEMENTO NOMINAL
É o termo que completa o sentido de uma
palavra que não seja verbo.
Assim, pode referir-se a substantivos,
adjetivos ou advérbios, sempre por meio de
preposição.
Confira a seguir alguns exemplos:
Cecília tem orgulhoda filha. substantivo
complemento nominal
Ricardo estava conscientede tudo. adjetivo
complemento nominal
A professora agiu favoravelmenteaos
alunos. advérbio
complemento nominal
Saiba que:
O complemento nominal representa o
recebedor, o paciente, o alvo da declaração expressa por um nome. É regido
pelas mesmas preposições do objeto indireto. Difere deste apenas porque, em vez
de complementar verbos, complementa nomes (substantivos, adjetivos) e alguns
advérbios em -mente.
ADJUNTO ADNOMINAL E COMPLEMENTO NOMINAL:
DIFERENÇAS QUE OS DEMARCAM
O complemento nominal
sempre aparece acompanhado da preposição, e, para somar, o adjunto também se
constitui do mesmo traço. Dessa forma, dependendo da estrutura sintática da
qual se constitui uma dada oração, confusões sempre serão motivo para uma
produtiva discussão. Assim, que tal enfatizarmos acerca das diferenças
que demarcam ambas as ocorrências?
Em termos
esquemáticos, temos:
NOME → PODENDO ELE ESTAR ACOMPANHADO OU NÃO DA
PREPOSIÇÃO = COMPLEMENTO NOMINAL? = ADJUNTO ADNOMINAL?
Vamos,
portanto, a alguns critérios, os quais poderão nos auxiliar de forma
significativa em tais diferenciações:
#No caso de o nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) exprimir
uma ação, observáveis são os aspectos:
-
Desempenhando a função de agente da ação, temos um adjunto
adnominal
- Desempenhando a
função de paciente/alvo da ação representada, estamos diante do complemento
nominal. Para tanto, eis o exemplo:
Os aplausosda plateia foram
considerados um elogio ao apresentador.
Temos que o
termo “da plateia” indica o agente da ação, uma vez que foi ela mesma quem a
praticou.
Já o termo
“ao apresentador” pode ser definido como sendo o complemento nominal, haja
vista que indica o termo que recebe a ação praticada, ou seja, a ação de ser
elogiado.
# No caso de
o nome ser representado por um adjetivo ou um advérbio, torna-se relevante
afirmar que sempre trataremos do complemento nominal, assim como nos demonstra
o exemplo abaixo:
Os alunos estão contentes com as novas decisões.
Temos que o
termo em estudo (contentes) se classifica como um adjetivo.
# No caso de
o nome atuar na qualidade de substantivo concreto, afirmamos nos deparar sempre
com um adjunto adnominal. Assim, o exemplo que segue nos dá conta disso:
O portãoda
escola possuía frases com
saudações de boas-vindas.
Ambos os
elementos em estudo, aqui demarcados pelo substantivo concreto “escola”, bem como pelo
substantivo “frases”, são acompanhados dos
adjuntos adnominais em destaque.
# Caso o
termo em estudo (o nome) exprimir uma ideia
de posse, ele será classificado como adjunto adnominal, com bem nos atesta
o caso representativo que segue:
A greve dos professores universitários já dura alguns dias.
Anna Rachel Machado (2004) indica, pelo menos, sete estratégias de sumarização. Eu selecionei alguns textos e os sumarizei, com base nas estratégias listadas pela autora.
1.Apagamento de conteúdos facilmente inferíveis a partir do conhecimento de mundo.
Exemplo:
Após o céu ficar cinza, caiu um imenso temporal.
Sumarização: Caiu um imenso temporal.
Informações excluídas e comentário: O fato de o céu ficar cinza antes do temporal é inferível, devido ao nosso conhecimento de mundo.
2. Apagamento de sequências de expressões que indicam sinonímia ou explicação.
Exemplo:
Em termos de estrutura narrativa, isto é, a forma como são apresentados os fatos narrados, o romance de 30 é, fundamentalmente, linear. (DACANAL, 2001, p. 17)
Sumarização: Em termos de estrutura narrativa, o romance de 30 é linear.
Informações excluídas e comentário: A oração introduzida por “isto é” é a explicação de “estrutura narrativa”.
3. Apagamento de exemplos.
Exemplo:
Vestido de noiva
Uma característica inovadora desta peça de Nelson Rodrigues está no uso poético e provocador que ele faz das rubricas, as indicações para a cena que o autor põe no texto como orientação. Por exemplo, há homens e mulheres que são descritos como “inatuais”. O que quer dizer isso? A certa altura, a rubrica diz que Alaíde apanha um ferro “ou coisa que o valha” para malhar a cabeça de Pedro, seu marido. Que “coisa que o valha é essa?” (AGUIAR, 2004, p. 85)
Sumarização: Uma característica desta peça é o uso inovador que o autor faz das rubricas.
Informações excluídas e comentário: As estratégias utilizadas foram o apagamento de expressões explicativas e apagamento dos exemplos.
4. Apagamento das justificativas de uma afirmação.
Exemplo:
O principal suspeito de assassinato era o marido: era ciumento e não tinha um álibi. (MACHADO, idem, p. 26)
Sumarização: O principal suspeito de assassinato era o marido.
Informações excluídas e comentário: as orações eliminadas indicam os motivos pelos quais o marido foi considerado suspeito.
5. Apagamento de argumentos contra a posição do autor.
Exemplo: A pena de morte tem muitos argumentos a seu favor, mas nada justifica tirar a vida do semelhante. (MACHADO, idem, p. 26)
Sumarização: Nada justifica tirar a vida do semelhante.
Informações excluídas e comentário: O período é coordenado pela conjunção “mas” que une duas ideias opostas. A posição do autor está explícita na segunda oração.
6. Reformulação das informações, utilizando termos mais genéricos.
Exemplo:
Miguilim (trecho)
Um certo Miguilim morava com a mãe, seu pai e seus irmãos, longe, longe daqui, muito depois da Vereda-do-Frango-d’Água e de outras veredas sem nome ou pouco conhecidas, em um ponto remoto no Mutúm. (ROSA, 2001, p. 7)
Sumarização: Miguilim morava com a família, longe dali, no Mutúm.
Informações excluídas e comentário: Algumas informações do texto original foram reformuladas e substituídas por outras mais genéricas (o trecho “mãe, pai e seus irmãos” foi substituído por “família”); o adjunto adverbial de lugar “longe, longe daqui…” foi reescrito para eliminar o advérbio recorrente e adequar a escrita a um texto na terceira pessoa do discurso (“longe dali“). Também utilizei o apagamento de umas das informações, que servia apenas para intensificar a descrição sobre a distância do local (“muito depois da Vereda-do-Frango-d’Água e de outras veredas sem nome ou pouco conhecidas”).
7. Conservação de todas as informações, dado que elas não são resumíveis.
Exemplo:
A linguística moderna surge quando Saussure, no Curso de Linguística Geral (1969), estabelece seu objeto.
Comentário: As informações não são resumíveis.
Podemos concluir que o processo de sumarização envolve a compreensão global do texto, por meio da qual são identificadas a ideia principal e as secundárias.