terça-feira, 8 de junho de 2021

MÓDULO 11 – INFERÊNCIA DE TEMAS EM TEXTOS FIGURATIVOS

MÓDULO 11 – INFERÊNCIA DE TEMAS EM TEXTOS FIGURATIVOS

 

Como imagens e histórias podem expressar opiniões?






O Texto Figurativo é aquele composto principalmente por figuras, ou seja, baseia-se em substantivos concretos para construir significados. Por isso, sua função é representativa, afinal, é por meio dessas palavras predominantemente concretas que o texto figurativo tem a intenção de retratar algo, criar representações do mundo.

Ou seja, personagens executam ações concretas que representam fatos históricos ou comportamentos humanos, sendo assim, os textos figurativos (elaborados com substantivos concretos) produzem um efeito de realidade (representam o mundo, criam uma imagem do mundo, analisam as ações humanas e seus acontecimentos.

 

Suave mari magno [Machado de Assis]

 

Lembra-me que, em certo dia,

Na rua, ao sol de verão,

Envenenado morria

Um pobre cão.

 

Arfava, espumava e ria,

De um riso espúrio e bufão,

Ventre e pernas sacudia

Na convulsão.

 

Nenhum, nenhum curioso

Passava, sem se deter,

Silencioso, Junto ao cão que ia morrer,

Como se lhe desse gozo

Ver padecer

 

A maioria das palavras empregadas é de substantivos concretos? Isso determina que o texto é figurativo ou abstrato? (O texto é figurativo, pois faz uso de vários substantivos concretos. É um texto que representa o mundo.)

 

Há presença de paradoxos no texto de Machado de Assis? (Utiliza-se da figura de um cão para analisar as ações humanas e seus acontecimentos. Lembremos que o texto figurativo representa o mundo, cria uma imagem do mundo.

 

São vários os substantivos concretos que denotam as reações paradoxais do cão: dia, rua, sol de verão, cão, riso, ventre, pernas, convulsão. Tais elementos determinam o paradoxo que consiste na coexistência da dor com o riso no momento da morte.)

 

Qual a reação dos curiosos que passavam por ali? (Concomitantemente, os curiosos que por ali passavam também agiam de forma paradoxal, pois se detinham junto ao cão, silenciosamente, em atitude contemplativa que sugere muita atenção.

 

O paradoxo, nesse caso, consiste no prazer diante da dor alheia. Os substantivos concretos utilizados o confirmam: os curiosos e gozo.) O que se pode concluir da análise do poema? (Em conclusão, Machado de Assis faz uso de vários substantivos concretos para criar uma atmosfera abstrata que traduz uma alegoria em que a dor de um cão moribundo desperta prazer nos passantes. A dor alheia causa prazer porque quem a contempla não a está sentindo.)

 

 

Fonte:

https://professornoslen.com.br/blog/texto-figurativo-x-texto-tematico/

https://educacao.uol.com.br/planos-de-aula/medio/portugues-analise-de-um-texto-figurado.htm

 



AULAS 21 E 22 - ARQUIVO-

 

segunda-feira, 7 de junho de 2021

AULAS 21, 22 - 2ª SÉRIE EM - PÓLIS [complemento nominal e do aposto]

 

APOSTO

Aposto é um termo que se junta a outro de valor substantivo ou pronominal para explicá-lo ou especificá-lo melhor. Vem separado dos demais termos da oração por vírgula, dois-pontos ou travessão.

Por Exemplo:

Ontem, segunda-feira, passei o dia com dor de cabeça.

Segunda-feira é aposto do adjunto adverbial de tempo ontem. Dizemos que o aposto é sintaticamente equivalente ao termo a que se relaciona porque poderia substituí-lo. Veja:

Segunda-feira passei o dia com dor de cabeça.

Obs.: após a eliminação de ontem, o substantivo segunda-feira assume a função de  adjunto adverbial de tempo.

Veja outro exemplo:

Aprecio

todos os tipos de música:

MPB, rock, blues, chorinho, samba, etc.

Objeto Direto

Aposto do Objeto Direto

Se retirarmos o objeto da oração, seu aposto passa a exercer essa função:

Aprecio

MPB, rock, blues, chorinho, samba, etc.

Objeto Direto

Obs.: o termo a que o aposto se refere pode desempenhar qualquer função sintática (inclusive a de aposto).

Por Exemplo:

Dona Aida servia o patrão, pai de Marina, menina levada.

Analisando a oração, temos:

pai de Marina = aposto do objeto direto patrão.

menina levada = aposto de Marina.

Classificação do aposto

De acordo com a relação que estabelece com o termo a que se refere, o aposto pode ser classificado em:

a) Explicativo: A Ecologia, ciência que investiga as relações dos seres vivos entre si e com o meio em que vivem, adquiriu grande destaque no mundo atual.

b) Enumerativo: A vida humana se compõe de muitas coisas: amor, trabalho, ação.

c) Resumidor ou Recapitulativo: Vida digna, cidadania plena, igualdade de oportunidades, tudo isso está na base de um país melhor.

d) Comparativo: Seus olhos, indagadores holofotes, fixaram-se por muito tempo na baía anoitecida.

e) Distributivo: Drummond e Guimarães Rosa são dois grandes escritores, aquele na poesia e este na prosa.

f) Aposto de Oração: Ela correu durante uma hora, sinal de preparo físico.

Além desses, há o aposto especificativo, que difere dos demais por não ser marcado por sinais de pontuação (vírgula ou dois-pontos). O aposto especificativo individualiza um substantivo de sentido genérico, prendendo-se a ele diretamente ou por meio de uma preposição, sem que haja pausa na entonação da frase:

Por Exemplo:

poeta Manuel Bandeira criou obra de expressão simples e temática profunda.
rua Augusta está muito longe do rio São Francisco.

Atenção:

Para não confundir o aposto de especificação com adjunto adnominal, observe a seguinte frase:A obra de Camões é símbolo da cultura portuguesa.

Nessa oração, o termo em destaque tem a função de adjetivo: a obra camoniana. É, portanto, um adjunto adnominal.

Observações:

1) Os apostos, em geral, detacam-se por pausas, indicadas na escrita, por vírgulas, dois pontos ou travessões. Não havendo pausa, não haverá vírgulas.

Por Exemplo: Acabo de ler o romance A moreninha.

2) Às vezes, o aposto pode vir precedido de expressões explicativas do tipo: a saberisto épor exemplo, etc.

Por Exemplo: Alguns alunos, a saber, Marcos, Rafael e Bianca não entraram na sala de aula após o recreio.

3) O aposto pode aparecer antes do termo a que se refere.

Por Exemplo: Código universal, a música não tem fronteiras.

4) O aposto que se refere ao objeto indireto, complemento nominal ou adjunto adverbial pode aparecer precedido de preposição.

Por Exemplo: Estava deslumbrada com  tudo: com a aprovação, com o ingresso na universidade, com as  felicitações

 

COMPLEMENTO NOMINAL

É o termo que completa o sentido de uma palavra que não seja verbo.

Assim, pode referir-se a substantivos, adjetivos ou advérbios, sempre por meio de preposição.

Confira a seguir alguns exemplos:

Cecília tem  orgulho  da filha.
             substantivo   complemento nominal

Ricardo estava consciente   de tudo.
                         adjetivo     complemento nominal

A professora agiu  favoravelmente     aos alunos.
                             advérbio        complemento nominal

Saiba que:

O complemento nominal representa o recebedor, o paciente, o alvo da declaração expressa por um nome. É regido pelas mesmas preposições do objeto indireto. Difere deste apenas porque, em vez de complementar verbos, complementa nomes (substantivos, adjetivos) e alguns advérbios em -mente.

 

 








ADJUNTO ADNOMINAL E COMPLEMENTO NOMINAL: DIFERENÇAS QUE OS DEMARCAM

 

O complemento nominal sempre aparece acompanhado da preposição, e, para somar, o adjunto também se constitui do mesmo traço. Dessa forma, dependendo da estrutura sintática da qual se constitui uma dada oração, confusões sempre serão motivo para uma produtiva discussão.  Assim, que tal enfatizarmos acerca das diferenças que demarcam ambas as ocorrências?

Em termos esquemáticos, temos:

NOME → PODENDO ELE ESTAR ACOMPANHADO OU NÃO DA PREPOSIÇÃO = COMPLEMENTO NOMINAL? = ADJUNTO ADNOMINAL?

Vamos, portanto, a alguns critérios, os quais poderão nos auxiliar de forma significativa em tais diferenciações:

#No caso de o nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) exprimir uma ação, observáveis são os aspectos:

- Desempenhando a função de agente da ação, temos um adjunto adnominal

 

- Desempenhando a função de paciente/alvo da ação representada, estamos diante do complemento nominal. Para tanto, eis o exemplo:

Os aplausos da plateia foram considerados um elogio ao apresentador.

Temos que o termo “da plateia” indica o agente da ação, uma vez que foi ela mesma quem a praticou.

Já o termo “ao apresentador” pode ser definido como sendo o complemento nominal, haja vista que indica o termo que recebe a ação praticada, ou seja, a ação de ser elogiado.

# No caso de o nome ser representado por um adjetivo ou um advérbio, torna-se relevante afirmar que sempre trataremos do complemento nominal, assim como nos demonstra o exemplo abaixo:

Os alunos estão contentes com as novas decisões.

Temos que o termo em estudo (contentes) se classifica como um adjetivo.

# No caso de o nome atuar na qualidade de substantivo concreto, afirmamos nos deparar sempre com um adjunto adnominal. Assim, o exemplo que segue nos dá conta disso:


portão da escola possuía frases com saudações de boas-vindas.

Ambos os elementos em estudo, aqui demarcados pelo substantivo concreto “escola”, bem como pelo substantivo “frases”, são acompanhados dos adjuntos adnominais em destaque.

# Caso o termo em estudo (o nome) exprimir uma ideia de posse, ele será classificado como adjunto adnominal, com bem nos atesta o caso representativo que segue:

greve dos professores universitários já dura alguns dias.







fontes:

soportugues.com.br
https://www.preparaenem.com/portugues/adjunto-adnominal-complemento-nominal-diferencas-que-demarcam.htm

quarta-feira, 14 de abril de 2021

formas de resumir (sumarizar)

 Anna Rachel Machado (2004)  indica, pelo  menos, sete estratégias  de  sumarização.  Eu selecionei alguns textos e  os sumarizei,  com  base nas  estratégias listadas pela autora.

1.Apagamento de conteúdos facilmente inferíveis a partir  do conhecimento de  mundo.

Exemplo:

Após  o céu  ficar  cinza,   caiu um imenso temporal.

Sumarização: Caiu  um imenso temporal.

Informações excluídas e comentário: O  fato de  o   céu  ficar  cinza  antes do temporal é inferível, devido ao nosso conhecimento de mundo.

2. Apagamento de  sequências de  expressões que indicam sinonímia ou explicação.

Exemplo:

Em termos de  estrutura  narrativa, isto é, a  forma  como são apresentados os  fatos narrados, o romance de 30 é, fundamentalmente, linear. (DACANAL, 2001, p. 17)

Sumarização: Em termos de estrutura  narrativa,  o  romance de 30 é linear.

Informações excluídas e comentário: A  oração introduzida  por “isto é” é a explicação de “estrutura narrativa”.

3. Apagamento de exemplos.

Exemplo:

Vestido de noiva

Uma característica inovadora desta  peça de  Nelson Rodrigues está  no  uso poético e provocador que ele  faz das  rubricas, as  indicações para a cena que  o autor põe  no texto como orientação. Por exemplo, há   homens e mulheres que são descritos como “inatuais”.  O  que  quer  dizer isso? A  certa altura, a rubrica diz que Alaíde apanha  um ferro  “ou  coisa que  o valha” para malhar a cabeça de Pedro,  seu marido. Que  “coisa   que  o  valha é essa?” (AGUIAR, 2004, p. 85)

Sumarização: Uma característica desta  peça é o uso inovador que  o autor  faz  das rubricas.

Informações excluídas e comentário:  As  estratégias utilizadas foram o apagamento de expressões  explicativas e apagamento dos exemplos.

4. Apagamento das  justificativas de  uma  afirmação.

Exemplo:

O  principal suspeito de  assassinato era o  marido:  era  ciumento  e  não tinha  um álibi. (MACHADO, idem, p. 26)

Sumarização: O  principal  suspeito  de  assassinato era o  marido.

Informações excluídas e comentário: as  orações eliminadas   indicam  os   motivos pelos  quais  o marido  foi considerado suspeito.

5. Apagamento de  argumentos contra a posição do autor.

Exemplo: A pena de  morte tem muitos argumentos a seu favor, mas  nada justifica tirar  a vida do semelhante.  (MACHADO, idem, p. 26)

Sumarização: Nada justifica tirar a vida do semelhante.

Informações excluídas e comentário: O período é coordenado pela conjunção “mas”  que  une  duas ideias  opostas. A posição do autor está explícita na  segunda  oração.

6. Reformulação das  informações, utilizando termos  mais genéricos.

Exemplo:

Miguilim (trecho)

Um certo Miguilim morava com a  mãe, seu  pai e seus irmãos,  longe,  longe daqui, muito depois  da Vereda-do-Frango-d’Água e  de outras veredas  sem nome ou   pouco conhecidas, em   um ponto remoto no Mutúm. (ROSA, 2001, p. 7)

Sumarização: Miguilim morava com a  família, longe dali,  no Mutúm.

Informações excluídas e comentário: Algumas informações do texto original foram reformuladas e substituídas por outras  mais genéricas (o trecho “mãe, pai e seus  irmãos” foi substituído por “família”);  o  adjunto adverbial de  lugar “longe,  longe daqui…”  foi reescrito para  eliminar  o advérbio recorrente  e  adequar a  escrita a um texto na terceira pessoa do discurso  (“longe dali“). Também utilizei o apagamento de  umas das  informações, que servia apenas  para intensificar a descrição sobre a  distância do local (“muito depois  da Vereda-do-Frango-d’Água e  de outras veredas  sem nome ou   pouco conhecidas”).

7. Conservação de  todas as  informações,  dado que elas  não são resumíveis.

Exemplo:

A  linguística moderna surge  quando Saussure, no Curso de Linguística Geral (1969),  estabelece  seu  objeto.

Comentário: As informações não são resumíveis.

Podemos  concluir  que  o  processo de  sumarização envolve a  compreensão  global do texto, por  meio da qual são identificadas a  ideia principal e  as  secundárias.


fonte:

https://conversadeportugues.com.br/2015/03/sumarizacao/