quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Vozes do verbo

Como já é do nosso conhecimento, a classe gramatical ora denominada de “verbo” é aquela, dentre as demais, que mais apresenta flexões. Tais flexões referem-se a tempo, modo, pessoa, número e voz.

Dando ênfase às vozes do verbo, torna-se importante ressaltar que as mesmas estão diretamente ligadas à maneira como se apresenta a ação expressa pelo verbo em relação ao sujeito.

No objetivo de compreendermos melhor como se forma todo este processo, as estudaremos detalhadamente, priorizando conceitos seguidos de seus respectivos exemplos:

Voz ativa 
Neste caso, o sujeito é o agente da ação verbal, ou seja, é ele quem a pratica. Observemos o exemplo:
O repórterleu a notícia
Sujeito agenteVerbo na voz ativa

Voz passiva 
Nela, a situação se inverte, pois o sujeito torna-se paciente, isto é, ele sofre a ação expressa pelo fato verbal. Vejamos:
A notíciafoi lida pelo repórter
Sujeito pacienteVerbo na voz passiva

Podemos perceber que o agente, neste caso, foi o repórter, que praticou a ação de ler a notícia.

A voz passiva apresenta-se em dois aspectos:

Voz passiva sintética – Formada por um verbo transitivo direto (ou direto e indireto) na terceira pessoa (do singular ou plural) mais o pronome “se” (apassivador).

Exemplo:
Praticaram-seações solidárias
Voz passiva sintéticaSujeito paciente

Voz passiva analítica – Formada pelo verbo auxiliar (ser ou estar) mais o particípio de um verbo transitivo direto (ou direto e indireto).

Exemplo:
Ações solidáriasforam praticadas
Sujeito pacienteVoz passiva analítica
 foram – verbo ser / praticadas - particípio

Voz reflexiva 
Ocorre quando o sujeito é agente e paciente ao mesmo tempo, ou seja, ele tanto pratica quanto recebe a ação expressa pelo verbo. Conforme demonstrado a seguir:
A garotapenteou-se diante do espelho
Sujeito agenteVerbo na voz reflexiva
É importante entendermos que desta forma a garota praticou a ação de pentear-se e recebeu a ação de ser penteada.

VOZES VERBAIS

São quatro as vozes verbais: ativa, passiva, reflexiva e reflexiva recíproca
Voz ativa
É aquela que ocorre quando o sujeito é quem pratica a ação.
Nesse caso, no exemplo que acabamos de conhecer, constatamos que se trata da voz ativa, pois foi Paulo, o sujeito, quem praticou a ação (a de ler o livro). Saiba que por esse motivo ele é também chamado de agente.
Voz passiva
Ela se caracteriza quando o sujeito recebe a ação expressa pelo verbo, tornando-se, assim, um sujeito paciente. Vamos aproveitar a mesma oração, só que agora expressa na voz passiva, observe:
O livro foi lido por Paulo.
Notamos que o sujeito, agora expresso por “o livro”, recebe a ação de ter sido lido por alguém, que no caso é Paulo.
Voz reflexiva
É quando o sujeito pratica e recebe a ação expressa pelo verbo ao mesmo tempo. Parece complicado? Nada disso, perceba o exemplo:
O garoto feriu-se com o objeto pontiagudo.
Ao analisarmos bem, percebemos que o garoto praticou a ação – a de ferir usando o objeto pontiagudo. Qual a consequência disso?
A de se ferir como esse mesmo objeto, ou seja, ele também recebe a ação – ferir a si próprio. Entendeu agora por que é assim chamado?
Voz reflexiva recíproca
Ocorre quando a ação expressa pelo verbo se refere aos dois elementos do sujeito, ocorrendo de forma recíproca, alternada. Para esclarecer melhor, analisaremos juntos o exemplo:
Os dois amigos cumprimentaram-se.
Deduzimos que tanto um amigo, quanto o outro, cumprimentaram-se reciprocamente.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Formas nominais e Modos verbais

Modos Verbais

Dá-se o nome de modo às várias formas assumidas pelo verbo na expressão de um fato. 

Em Português, existem três modos: 

Indicativo - indica uma certeza, uma realidade. Por exemplo: Eu sempre estudo.

Subjuntivo - indica uma dúvida, uma possibilidade. Por exemplo: Talvez eu estude amanhã.

Imperativo - indica uma ordem, um pedido. Por exemplo: Estuda agora, menino.


Formas Nominais

Além desses três modos, o verbo apresenta ainda formas que podem exercer funções de nomes (substantivo, adjetivo, advérbio), sendo por isso denominadas formas nominais

Observe: 

a) Infinitivo Impessoal: exprime a significação do verbo de modo vago e indefinido, podendo ter valor e função de substantivo.

Por exemplo:
Viver é lutar. (= vida é luta)

É indispensável combater a corrupção. (= combate à)


O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presente (forma simples) ou no passado (forma composta).

Por exemplo:
É preciso ler este livro.
Era preciso ter lido este livro.
b) Infinitivo Pessoal: é o infinitivo relacionado às três pessoas do discurso. Na 1ª e 3ª pessoas do singular, não apresenta desinências, assumindo a mesma forma do impessoal; nas demais, flexiona-se da seguinte maneira:

2ª pessoa do singular: Radical + ES
Ex.: teres(tu)
1ª pessoa do plural: Radical + MOSEx.: termos (nós)
2ª pessoa do plural: Radical + DESEx.: terdes (vós)
3ª pessoa do plural: Radical + EMEx.: terem (eles)

Por exemplo:
Foste elogiado por teres alcançado uma boa colocação.
c) Gerúndio: o gerúndio pode funcionar como adjetivo ou advérbio.
Por exemplo: 
Saindo de casa, encontrei alguns amigos. (função de advérbio)

Nas ruas, havia crianças vendendo doces. (função adjetivo)
Na forma simples, o gerúndio expressa uma ação em curso; na forma composta, uma ação concluída.
Por exemplo:
Trabalhando, aprenderás o valor do dinheiro.

Tendo trabalhado, aprendeu o valor do dinheiro.
d) Particípio: quando não é empregado na formação dos tempos compostos, o particípio indica geralmente o  resultado de uma ação terminada, flexionando-se em gênero, número e grau.

Por exemplo:
Terminados os exames, os candidatos saíram.
Quando o particípio exprime somente estado, sem nenhuma relação temporal, assume verdadeiramente a função de adjetivo (adjetivo verbal).

Por exemplo:
Ela foi a aluna escolhida para representar a escola.


Modalizadores

MODALIZAÇÃO

O que é modalização? 

Modalização é o fenômeno pelo qual o sujeito expressa sua adesão ao texto. Através da modalização é possivel perceber qual a atitude do locutor na defesa do que pretende. 

Assim, é possível perceber se ele crê no que diz, se atenua ou impõe algo que diz. Na verdade, é a expressão de um ponto de vista. Portanto, como pode haver um texto sem modalização?

A resposta é muito simples. Simplesmente não há texto sem modalização. Essa pode sim ser mais explícita ou mais discreta.

No texto, percebemos a presença dos modalizadores pelos elementos lingüísticos que os expressam. Esses funcionam como indicadores de intenções, sentimentos e atitudes do locutor com relação a seu discurso. Eles revelam o grau de engajamento do falante em relação ao conteúdo proposicional veiculado.

O chamado ethos é a imagem que a gente cria de si mesmo. É essa, na verdade, a marca dos modalizadores no discurso, que são marcas deixadas por quem escreve.

Há dois tipos básicos de modalizadores:

a) Modalidades Epistêmicas: referem-se ao eixo do saber (certeza/ probabilidade);
· Crer – eu acho, é possível
Provavelmente virei.
· Saber – eu sei, é certo
Viajarei com certeza.

a) Modalidades Deônticas: referem-se ao eixo da conduta (obrigatoriedade/ permissibilidade).
· Proibido: Não se deve estacionar na faixa amarela.
· Obrigatório: Você precisa se alimentar melhor.

Recursos Lingüísticos para a expressão da modalização:
· modos e tempos verbais;
· advérbios: talvez, felizmente, infelizmente, lamentavelmente, certamente...;
· predicados cristalizados: é certo, é preciso, é necessário;
· performativos explícitos: eu ordeno, eu proíbo, eu permito...;
· verbos auxiliares: poder, dever, ter que/ de, haver de, precisar de...;
· verbos de atitude proposicional: eu creio, eu sei, eu duvido, eu acho...

De acordo com os modalizadores que um autor utiliza, ele pode tornar seu discurso mais polêmico ou autoritário.Quando se constrói um discurso mais polêmico fazemos mais uso dos modalizadores inseridos no eixo do crer. Quando o autor faz esta escolha, ele proporciona ao leitor a chance de tirar suas próprias conclusões.

Já o discurso inserido no eixo do saber e do dever estará mais voltado para um discurso autoritário, restringindo as chances de o leitor discordar dos fatos apresentados pelo autor.

O modalizadores são um recurso muito rico de nossa língua.É uma pena que nas escolas não sejam utilizados para formar cidadão mais críticos, que tenham mais certeza do que querem ao escreverem ou que possam melhor se posicionar quando lêem ou falam. Eu faço Letras - Português/Alemão e, no ensino da língua alemã, os verbos modalizadores recebem especial atenção em qualquer gramática em que se procure. Os verbos modais são muito importantes para que se saiba de fato qual sentido se quer atribuir e como se deve ler, já que , como dito antes, um texto sempre revela um pouco daquilo que quem escreve pensa.Um texto nunca é neutro por completo.